terça-feira, 3 de maio de 2011

A ALEGRIA INTRÍNSECA DO SER - Por Sergio Frug

Quem de nós nunca sentiu aquele frio na barriga repentino e uma angústia profunda como um presságio de que algo errado vai acontecer?

Quando me dou conta, procuro reconhecer a origem, descobrir do que é que estou com medo. Sem neuras, acho até uma coisa boa; deixando-me mais alerta e vigilante, pois bem sei como é grande a minha tendência à arrogância quando as coisas parecem estar dando muito certo.

Há, porém, quem se identifique tremendamente com essas sensações negativas, alguns até se “apaixonam” por elas e encontram aí motivo persistente para requisitar cada vez mais atenção para si e suas eternas mazelas.

Caminho do meio, diriam nossos sábios irmãos; mas para haver caminho do meio é preciso que exista uma polaridade e aí está a questão.

Há sim uma contrapartida para aquela estranha sensação.
Li certa vez que quando sentimos um momento de prazer intenso, espontâneo e repentino, é que uma cura interna está se realizando. Aquilo me deixou intrigado. Será que existem mesmo tais momentos? Pois dito e feito. Cada vez mais fui reconhecendo fragrâncias deliciosas invadindo as minhas narinas, suspiros de alegria sem nem mesmo saber por que. Vontade de rir, de me fundir à natureza, de cantar e dançar ao Sol como se nada pudesse me atingir de maneira negativa.

Levei logo a idéia para Yerê Arapuã, a Roda de Cura, evento integrativo que tive a honra de focalizar. Aí, ao som do tambor xamânico, o nome “alegria intrínseca do ser” foi se manifestando e esta energia maravilhosa que pertence ao íntimo das nossas células foi encontrando meios de se disseminar através dos corações. Tenho certeza de que muitos de nós não nos esquecemos daqueles dias em que o tambor soava para que pudéssemos contatar profundamente esse poder desconhecido de nos sentir alegres naturalmente sem sermos loucos e sem nem mesmo termos ganho na loteria. Apenas um sorriso, era o que surgia.

Ocorre-me agora o maravilhoso filme “Samsara”, que embora em outro contexto, mostra o antigo costume tibetano de recolher-se para meditar por três anos, três meses e três dias em cubículos encravados na natureza. Consta que ao sair, muitos monges acabam retornando aos retiros para permanecer por toda a vida. Quem sabe encantados com aquilo que descobriram ser a Maravilhosa e Intrínseca Alegria do Ser.

Porque a meditação faz o contato com a tal alegria. A proximidade da natureza idem. Depois que passei a viver nas bordas da mata, a algumas dezenas de quilômetros da cidade grande, esses momentos de prazer intenso tornaram-se cada vez mais freqüentes. Acho que a minha atual alimentação, não perfeita, mas bastante mais orgânica e integral ajuda muito e mesmo quando preocupado com questões difíceis, acabo me sentido feliz e confiante, repetindo a mim mesmo nunca ter vivido tão feliz em toda a vida.

Dessa forma, embora deseje compartilhar meus sentimentos, meu corpo e meu coração, o clima de razoável solidão em que vivo acaba ajudando a perceber melhor essa alegria, de origem certamente espiritual, mas que é sem dúvida capaz de polarizar aquela tristeza antiga e encaminhar o espírito alerta para um novo tipo de experiência no planeta.

A Intrínseca Permanência da Alegria...

Por Sergio Frug



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